Por Christiane Zubcov

O Projeto Nova é voltado especificamente para mulheres vítimas de violência doméstica e abuso sexual, sujeitadas ao subemprego, a informalidade e muitas vezes como única condição de sobrevivência, ainda na adolescência lançadas a prostituição, ao tráfico de drogas, dentre outras formas de trabalho que desrespeitam a dignidade da pessoa humana.

Há vários estudos que descreve o impacto a curto e longo prazo do abuso sexual. O fenômeno é considerado um fator de risco com várias consequência, tais como: a ansiedade e a depressão, queixas somáticas e problemas escolares, transtorno de estresse pós-traumático, comportamentos regressivos, autolesão, tentativa de suicídio, problemas com relacionamento sexual, prostituição e promiscuidade, abuso de substância como álcool e drogas, fenômeno da multigeracionalidade, onde existe a tendência da violência sofrida quando criança ser transmitida por meio de comportamentos desta quando adulta, aos seus filhos.

A violência que atinge essas pessoas inibe sua espontaneidade criadora (autonomia) para verem novos horizontes, sem que precisem se violentar, visto que já vivem abusos ao longo de sua história. O meio é cruel, para realização de seus sonhos de crescer e escolher sua profissão.  A deficiência causada pela violência gera dificuldades de concentração, bloqueando o desenvolvimento de novas habilidades, dificuldades de relacionamento social, e de conquistas profissionais, sentimento de culpa e vergonha. Neste ciclo, seus filhos, sobrevivem a esta desproteção desenvolvendo defesas como tornar aceitável, e normal o que está destinado a eles, estratégia esta de sobrevivência contra uma variedade de agressões.

A prostituição é a renda mais comum dentro do contexto das vítimas de violência e se tornam vulneráveis a exploração sexual, sendo reconhecida como ocupação regular, fazendo parte da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Os profissionais do sexo podem contribuir, com a Previdência Social, tendo direito a salário-maternidade, auxílio-doença e aposentadoria. Contudo, manter estabelecimento em que ocorra exploração sexual é proibido por lei, como prevê o artigo 229 do Código Penal, ou seja, a prostituição não é ilegal, mas a exploração e o incentivo à prostituição é contrária.

Ações estão sendo desenvolvidas contribuindo para a reestruturação emocional e social, geração de renda de forma a permitir o exercício de sua cidadania, contudo, existe a necessidade de trabalhar a família como um todo.  Percebe-se uma necessidade grande de se encontrar a autoestima desejo de autoconfiança, independência, liberdade, reputação ou prestígio, reconhecimento e atenção. A frustração destas necessidades produz sentimentos de inferioridade, de fraqueza e de inutilidade.

Ao procurar combater o desemprego não basta apenas oferecer um curso de capacitação profissional e adentrar em um curso, considerando que as “deficiências intelectuais sociais” acabam por desmotivar e desistir de tentar novos caminhos. É necessário oferecer capacitação adequada e humanizada, com um fator primordial o acolhimento dos profissionais para garantir a credibilidade e consideração à mulher em situação de violência doméstica.
É certo que por meio de ações humanitárias, oportunidades e atendimento especializado é possível influenciar essas mulheres positivamente, gerando sentimentos de autoconfiança, independência e liberdade, afim de que desenvolvam sua cidadania e se estabeleçam economicamente.
Considerando o grande índice de abuso sexual e utilização de drogas e violência deste a infância, há necessidade de uma intervenção junto às crianças assistidas pelo Projeto Nova, visando à proteção e impedimento de tais situações, por meio de um processo educativo, para que as relações entre homens e mulheres sejam construídas desde cedo, bem como enfatizar os direitos e deveres na sociedade.

Diagnóstico Social
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