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PROSTITUIÇÃO: Procura-se local seguro!

PROSTITUIÇÃO: Procura-se local seguro!

Por Evandro e Viviane Vaz

Fotografia: Patricia Paula

Considero providencial e urgente falar de um assunto ignorado pelo senso comum, a prostituição. A atividade de comercializar o próprio corpo é um tabu histórico carregado de ojeriza e preconceito contra os que tais coisas praticam, e essa aversão, não raro bloqueia nossa capacidade de amar os que se perderam nas trevas de seus próprios atos. A maior causa da prostituição nos tempos em que vivemos é principalmente a necessidade de dinheiro. Mas existem inúmeras questões psicológicas envolvidas que impulsionam uma pessoa a vender seu próprio corpo, tais como perfil social, histórico familiar, baixa auto-estima, dependência química, patologias, obsessão e compulsão, dentre outras. Vale acrescentar que a atividade no Brasil é legalizada, uma tendência mundial, haja vista que em outros países além de legal, é reconhecida como profissão com vários direitos assegurados. Se verificarmos o fato de que a humanidade sempre considerou a mulher como ser inferior, e que a mídia também tem seu papel fundamental em ressaltar o corpo feminino como veículo de propaganda para a venda de produtos e entretenimento, e que uma maioria se prostitui como forma de sobrevivência, já é possível entender muitas coisas. Mesmo assim não se pode negar a existência de outros fatores recorrentes, tristes e determinantes, ocultos por trás do que as pessoas geralmente imaginam. O que leva uma criança de 8 anos a acreditar que um ato sexual vale um pedaço de pão? O que haveria na mente de uma menina que sempre foi obrigada a prestar favores sexuais ao próprio pai, e descobre que pelo menos pode ganhar um sorvete com isso? O que sente uma criança que é surrada porque contou sobre um abuso sofrido? Porque ela foi chamada de vadia quando contou que o tio mexeu com ela? Talvez você não saiba, mas o abuso sexual na infância é muito comum entre a prostituição tanto masculina como feminina. Conforme a freqüência e a gravidade da situação de abuso sofrida, a reinserção social é complexa e trabalhosa, e de igual maneira, constituir família, estudar ou ter uma carreira profissional. Os antídotos para os desdobramentos sociais recorrentes da prostituição são vários, dentre eles ações governamentais que possam melhorar a realidade social daqueles que querem deixar a atividade, bem como ações sociais de incentivo a escolaridade e oportunidades de crescimento intelectual e profissional. Também, uma sociedade que tenha atitudes de aceitação para com essas pessoas portadoras de tamanho desgaste físico e emocional. Locais que proporcionem ações terapêuticas, ambientes seguros para serem ouvidos e receberem oportunidades onde um remédio especial é administrado em doses homeopáticas, o amor, uma vez que somente este pode oferecer acolhimento e aceitação. A infância outrora amputada pode ser superada, através de ações que resgatem o lado puro das coisas simples, por exemplo: oferecendo pequenas comemorações, cartões, presentes, passeios, demonstrações de afeto, coisas que resgatem a alegria infantil que se perdeu. Pequenos detalhes como a pureza de um abraço, um ombro amigo oferecido sem interesses, a presença segura de homens decentes e piedosos, incentivo de novos sonhos e ensinos, proporcionam imenso valor para aqueles que tanto sofreram com o desprezo e querem encontrar refúgio e aceitação. A morte que tão próxima rondava suas vidas poderá se transformar lentamente em alegria pela vida.

Posted by viviane in Artigos, Notícias
INFÂNCIA A VENDA – Exploração Sexual Infantil

INFÂNCIA A VENDA – Exploração Sexual Infantil

Por Evandro e Viviane Vaz

Fotografia: Patricia Paula

Entende-se por exploração sexual um indivíduo obter lucro com a atividade sexual de outro. Trata-se de um crime hediondo segundo o código penal brasileiro: lei nº 12.015. Vamos destacar algumas formas mais comuns. O crime de rufianismo popularmente conhecido como cafetinagem. Crianças são vendidas pelos responsáveis para suprir a extrema pobreza de suas famílias. Outro crime mais comum do que se imagina: o tráfico de pessoas para fins sexuais. Pessoas subtraídas de seu ambiente e seu corpo comercializados. Gente de alma violada e amputada do seu destino, sua identidade deformou-se. Outra forma de exploração é a pornografia infantil. A saber, a produção, utilização, exibição, comercialização de material (fotos, vídeos, desenhos) com cenas de sexo ou com conotação sexual das partes genitais de uma criança. Tem sido muito explorada, sobretudo em nossos dias, onde o acesso a rede mundial se dá rapidamente por dispositivos móveis e multifuncionais, onde internautas acessam e compartilham conteúdos. A grande pergunta é: o que a sociedade e o estado tem a haver com tudo isso? A tarefa da sociedade é denunciar e exigir ações para o cuidado desses feridos, demonstrando sensibilidade diante de suas terríveis histórias fazendo com que encontrem meios de se locomover em suas existências, com qualidade de vida e autonomia. É papel da sociedade e do estado combater essas formas de degradação humana, se manifestando, atuando como formadora de opinião e que não compactua com qualquer tipo de violação humana. O amor prático tem que ser nosso cotidiano durante a jornada de vida. Os sofrimentos decorrentes da exploração sexual, da violência e da rejeição, fazem os sobreviventes imaginarem um mundo sem nenhuma esperança! O estado precisa ser mais eficaz no cuidado e humanizando o atendimento com uma escuta especial que não revitimiza a pessoa violada, independente da origem ou natureza. Ser local seguro para todos, onde o ferido é aceito, ouvido, compreendido e encorajado a mudar, um ambiente de sigilo e cumplicidade. É imprescindível não expor a identidade nem rotular as vítimas dentro da própria comunidade.

Seja um agente de transformação não só da nossa sociedade, mas também de proporcionar que pelo menos uma vida que seja liberta da exploração! Denuncie através do número 100, ou pelo aplicativo “Proteja Brasil”

Posted by viviane in Artigos, Notícias
Violência na Escola

Violência na Escola

Fotografo: Alex Cunha Ribeiro

Com toda a discussão envolvendo as questões de violência e indisciplina nas escolas públicas de Mato Grosso do Sul, vem a lembrança de meu trabalho de conclusão de curso sobre os adolescentes e a violência.  Encarar o assunto sempre traz a minha mente o desejo de estudar as dinâmicas e fenômenos. Um princípio que assimilei com minhas observações, é que a violência é um comportamento aprendido, com isto tenho obtido respostas a problemática.

Vide o fato de que a infância e adolescência são momentos únicos na vida de uma pessoa. Daí a necessidade de proteção, para a construção do self (ser) e toda sua relação com o mundo de maneira integral. Com o corpo e mente em desenvolvimento, cada detalhe vivido determinará seu futuro. Baseado nisso que até os 18 anos, não se tem tantas responsabilidades, já que essa mente está vulnerável a receber os principais ensinamentos para a vida toda. Dentro desse processo a escola e a família conjugam esse momento tão essencial, norteando esta pessoa juntamente com sua própria personalidade, dons e talentos únicos.  A dependência é uma característica da infância e adolescência, A medida que o desenvolvimento progride, a criança tem um ego relativamente integrado, e com a sensação de que o núcleo do si-próprio habita o seu corpo. Ela e o mundo são duas coisas separadas. A etapa seguinte é conseguir alcançar uma adaptação à realidade. Nesse processo é possível e preciso empodera-los no que diz respeito aos princípios, direitos e deveres, que o definirão enquanto ser humano.

Uma criança que assiste violência num aparelho eletrônico, que vivencia a violência dos pais, que sofre maus-tratos em casa, que aprende a política do “bateu levou”, obviamente irá reproduzir tais atitudes entendendo que essa é a função e a forma de SER do humano. Ao chegar na escola, essa violência é aguçada pois em comunidade que se aflora os problemas de relacionamento, e irá solucionar da maneira que este aprendeu.

Ao ouvir relatos de crianças que abusam de outra criança, vejo que essa criança que cometeu tal ato libidinoso foi vitima de algum abuso também já que isso não é nato ao ser humano, ela reproduz algo que vivenciou.

Qualquer tipo de violência seja física, psicológica, moral ou sexual, gera alguma forma de deficiência (cognitivo, comportamental ou social), ainda é possível incluir as crianças que nascem com algum tipo de desordem ou deficiência como resultado de agressões às mães durante a gravidez. Questões psicológicas e intrínsecas do self, em decorrência de um senso de raiva ou injustiça em relação a figuras percebidas como maléficas. Pessoas agressivas apresentam déficit na internalização de figuras boas, além de um déficit egóico, que se caracteriza por uma ausência da capacidade de reflexão do self e da capacidade de pensar, o que causa implicações diretas na regulação de emoções.

O Estatuto da Criança e Adolescente diz é dever da família, da sociedade e do estado proteger os direitos destes, entretanto é mais fácil abster-se esperando que o outro o faça, e ninguém toma a responsabilidade para si. Seja na Família, na sociedade ou no estado, em algum deste eu e você estamos inseridos, por tanto esse dever é nosso. Não só da escola ou da família, como sociedade podemos e devemos fazer algo para lutar pelos que não sabem que têm direitos, pelos que são reproduções de adultos doentes emocionalmente.

O professor no caso tem um papel essencial pois causa empatia de alguns e pode se tornar agente de proteção, quando percebe os sinais de um aluno com possível conflito interno e registra esse fato, podendo encaminhar para um acompanhamento adequado para a situação. Não cabendo a ele, o papel de realizar o julgamento da situação, muito menos a psicoterapia necessária, o ser agente de proteção serve como um sinalizador para o caminho da restauração.

Meu bom senso me diz. Saber que devo respeito à autonomia, dignidade e identidade do educando, e na prática procurar coerência com esse saber, me leva inapelavelmente à criação de algumas virtudes ou qualidade sem as quais aquele saber vira inautêntico, palavreando vazio e inoperante. De nada serve, a não ser para irritar o educando e desmoralizar o discurso hipócrita do educador, falar em democracia e liberdade mas impor ao educando a vontade arrogante do mestre.” Paulo Freire

A escola pode propiciar a construção da resolução conflitos gerando habilidades sociais, através de um dialogo humanitário, respeitando as diferenças, buscando soluções em comunidade, oferecendo informações preventivas, proporcionando responsabilidade diante dos prejuízos causados e ressaltando dignidade do educador como profissional idôneo.

É possível transformar o ciclo de violência num ciclo de amor!

 

Viviane Vaz
Psicanalista, Missiologa, Escritora,
Coordenadora do Projeto NOVA

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