Você sabe o que é tráfico humano? Já parou para pensar nisso? Será que ele acontece no Brasil? Em Mato Grosso do Sul? Vamos falar sobre isso?Espera-se que a resposta certamente seja sim. Entenda porquê:

A localização geográfica de Mato Grosso do Sul facilita não apenas contrabandos e entrada de drogas, mas também o tráfico de seres humanos, que em três anos* vitimou 63,2 mil pessoas no mundo, sendo pelo menos 5,8 mil na América do Sul e outras 3 mil no Brasil segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU) através do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC).

Mas esses números revelam apenas os casos detectados e de alguma forma combatidos pelas autoridades. Estima-se que em todo globo, 21 milhões de pessoas ainda vivem sob sistema de exploração originado pelo tráfico humano**. E mais que isso, todos os anos, ao menos 1 milhão de pessoas são traficadas***.

A expressão “tráfico de pessoas” significa o recrutamento, o transporte, a transferência, alojamento ou acolhimento de pessoas feito através de ameaça, coação, rapto, fraude ou engano, abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade social para fins de exploração.

Vale ressaltar que maior parte das pessoas traficadas são mulheres ou meninas adolescentes, levadas para outros países principalmente para serem exploradas sexualmente em casas de prostituição. A cada 10 pessoas traficadas 8 são mulheres, homens geralmente têm sua mão-de-obra usada em trabalhos escravos ou similares.

Em relação às crianças, os traficantes olham para as que estão entre 0 e 2 anos de idade e  pensam na adoção ilegal internacional. As crianças de 3 a 7 anos em geral são traficadas para remoção de órgãos. Dos 7 anos acima já são vendidas para fins de exploração sexual ou trabalho escravo.

E porque falar disso agora? Porque em julho, o dia 30 está instituído desde 2013 com o Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas. E aqui em Mato Grosso do Sul o projeto NOVA, luta contra a exploração sexual em suas diversas formas: prostituição, tráfico de pessoas, abuso sexual infantil.

Para este ano, a campanha Coração Azul, da ONU, que é voltada contra o tráfico de pessoas, será usada pelo projeto em ações próprias e que serão desenvolvidas em redes sociais com textos, imagens e vídeos com informações impactantes para a sociedade.

A coordenadora do Projeto NOVA, Viviane Vaz, explica que ao cuidar de sequelas em vítimas do tráfico interestadual e internacional de pessoas, percebeu o quanto a desinformação do assunto faz com que as mulheres acreditem que podem “mudar de vida” quando estão mesmo entrando numa cilada.

“Elas nem entendem direito que foram vítimas de tráfico, porque acham que a escravidão inclui uma violência física muito grande, ou que alguém a obriga a fazer determinadas coisas, mas o fato é que os traficantes envolvem a vítima de tal forma que ela se sente responsável pela tragédia que sua vida se transformou, como se ela estivesse escolhendo aquela situação”, ressalta.

Além disso, afirma que “em geral a própria situação de pobreza e baixa autoestima leva essas mulheres vítimas a consentirem o abuso, na esperança de uma nova oportunidade de vida. Mas se deparam com mais decepções, frustrações e muita humilhação. O coração de uma pessoa explorada fica tão dilacerado que necessita que um cuidado a longo prazo, com atendimento médico, psicológico e social.”

Mas então, o que fazer? Promover e divulgar informações ajudam a alertar e prevenir pessoas desse crime, bem como a conseguir identificar casos de tráfico. Assim, informação é sempre a melhor estratégia, já que a pobreza, a falta de conhecimento sobre o assunto e os tabus relacionados a isso tornam qualquer um de nós uma vitima em potencial.

Contamos com seu apoio nessa luta!

Por Lucia Morel

 

* Referente aos anos de 2012, 2013 e 2014 conforme dados do UNODC de dezembrode 2016;

** Dados do Parlamento Europeu divulgado em setembro de 2016;

*** Número estimado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Campanha conscientiza sobre combate ao tráfico humano